RISE-Health estreia-se no Encontro Ciência e participa na definição das prioridades da investigação e inovação em saúde

Propostas da RISE-Health centraram-se na Investigação Clínica, Inteligência Artificial e Saúde Digital.

 

A Unidade de Investigação RISE-Health participou, pela primeira vez, no Encontro Ciência 2026, uma iniciativa organizada pela Agência para a Investigação e Inovação (AI²) e por Ciência Viva.

Entre os dias 15 e 16 de julho, a RISE-Health marcou presença no Centro de Congressos de Lisboa, palco da mais recente edição do Encontro Ciência 2026.

Sob o mote “Preparar o Futuro”, a maior Unidade de Investigação do país estreou-se no evento com uma sessão paralela intitulada “Prioridades da Investigação Clínica para a Inovação”, na qual Luís Azevedo e Elisa Keating, especialistas da RISE-Health, debateram o impacto da investigação na saúde.

 

Uma visão para o futuro

No debate “Ciência, Valor e Acesso: Prioridades para a Avaliação de Tecnologias da Saúde”, liderada por Luís Azevedo (RISE-Health/FMUP), em copromoção com o CHRC – Comprehensive Health Research Centre, NOVA CRU, NOVA Medical School, Laboratório de Sóciofarmácia e Saúde Pública da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC) e IQVIA Portugal, sublinhou-se a necessidade de reforçar a capacidade científica nacional na avaliação de tecnologias da saúde, num contexto marcado pela implementação do novo regulamento europeu de Health Technology Assessment (HTA).

Durante o debate, defendeu-se uma aposta estratégica na produção e na síntese de evidência científica, na utilização de dados do mundo real, na avaliação económica e metodológica das tecnologias de saúde e no desenvolvimento de modelos adequados para tecnologias digitais e inteligência artificial. Foi igualmente sublinhada a importância de reduzir os tempos de acesso dos doentes à inovação, fortalecer a interoperabilidade e harmonização dos dados de saúde, promover a colaboração entre instituições, e envolver os doentes e outros stakeholders no processo de investigação, garantindo que Portugal desempenha um papel ativo nas avaliações clínicas conjuntas europeias, assegurando um acesso mais rápido, equitativo e sustentável às tecnologias de saúde.

Elisa Keating (RISE-Health/FMUP), em copromoção com a NTT Data Portugal, Unidade Local de Saúde São João, Nova Medical School, e CHRC-Comprehensive Health Research Centre, liderou a proposta “Evidência Clínica e de Mundo Real: Portugal rumo a um Maior Impacto na Investigação em Saúde”, que visou reforçar a investigação clínica como prioridade estratégica central no Sistema Nacional de Investigação e Inovação, contribuindo para a retenção de talento, a atração de investimento e a melhoria da saúde da população através de ensaios clínicos, estudos observacionais, dados do mundo real e investigação orientada para a prevenção.

Na sessão, destacou-se a necessidade de superar a fragmentação de dados e instituições, reforçar a colaboração, a comunicação e o financiamento direcionado, defendendo que a investigação clínica e a inovação biomédica sejam assumidas como prioridades estratégicas nacionais para promover uma saúde mais equitativa, um sistema mais eficiente e um futuro mais sustentável para Portugal.

 

O futuro com a Inteligência Artificial

Naquela que foi a primeira edição a ser organizada pela Agência para a Investigação e Inovação (AI²), que resulta da fusão entre a FCT e a ANI, o investigador Ricardo Correia (RISE-Health@RISE), em co-promoção com e-MAIS – Associação Nacional dos Profissionais de Informática para a Saúde, VirtualCare, OpVance, e PDH, “subiu a palco”, no segundo dia da iniciativa.

O especialista da RISE-Health apresentou o tema “Saúde Digital e Inteligência Artificial: Promessas e Prioridades para Portugal”, explorando as oportunidades e os desafios associados à transformação digital dos sistemas de saúde e à crescente integração da inteligência artificial na prestação de cuidados, na investigação e na gestão em saúde.

Durante o debate, destacou-se que o desenvolvimento da saúde digital em Portugal depende da criação de infraestruturas seguras para a gestão de dados sensíveis, da interoperabilidade dos sistemas de informação, da capacitação de profissionais e da articulação entre instituições de saúde, de investigação, empresas e entidades públicas.

Foi igualmente sublinhada a necessidade de ultrapassar a fragmentação dos dados, acelerar a adoção e validação de soluções digitais nos serviços de saúde, promover modelos sustentáveis e escaláveis que gerem valor económico e impacto clínico, e reforçar a confiança dos cidadãos na utilização da inteligência artificial e de tecnologias digitais, assegurando simultaneamente a proteção dos dados, a soberania digital e a transferência efetiva da inovação para o mercado e para os cuidados de saúde

A representação da unidade contou ainda com a participação de Fernando Schmitt, diretor da RISE-Health e dos investigadores Sílvia Socorro (RISE-Health/UBI), Rute Almeida, Tiago Jacinto (RISE-Health/FMUP) e Isabel Duarte (RISE-Health/UAlgarve).

A forte mobilização da comunidade científica e de inovação ficou patente nas 206 propostas de temas para debate que envolveram mais de 1.200 participantes e cerca de 1.000 organizações, que trabalharam em 20 sessões distribuídas por seis macroáreas estratégicas: Digital, Saúde, Ambiente e Território, Indústria e Energia, Sociedade e Ecossistema de Ciência e Inovação.

O Encontro Ciência 2026 foi promovido pela AI², resultado da fusão da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e da Agência Nacional de Inovação (ANI), e Ciência Viva. A iniciativa contou ainda com o apoio institucional da República Portuguesa.