Investigadora da RISE-Health, Professora Catedrática no Departamento de Genética e Biotecnologia da Escola de Ciências da Vida e do Ambiente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e presidente da Sociedade Portuguesa de Genética.
Raquel Chaves é professora catedrática de Genética no Departamento de Genética e Biotecnologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), onde desenvolve atividade docente e científica. É também presidente da Escola de Ciências da Vida e do Ambiente (ECVA) e vice-presidente do Conselho Científico da mesma escola. Integra o polo da UTAD da Unidade de Investigação RISE-Health, constituída pelo CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde – e com sede na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Em fevereiro de 2026, foi eleita presidente da Sociedade Portuguesa de Genética (SPG) para o triénio 2026–2028. Ao longo da sua carreira assumiu diversos cargos científicos e institucionais, e esteve envolvida na criação da licenciatura em Genética e Biotecnologia na UTAD, entre outras formações educativas de 1º, 2º e 3º ciclos
Licenciou-se em Bioquímica pela Universidade do Porto em 1992 e concluiu o mestrado em Genética Molecular pela Universidade do Minho em 1995, com uma dissertação com tema na aplicação da citogenética molecular no diagnóstico de leucemias pediátricas. Regressou a Vila Real e iniciou a atividade docente na UTAD em 1998, ano em que também deu início ao doutoramento na mesma instituição, com estadias no National Cancer Institute nos EUA e no Pathology College da Universidade de Cambridge no Reino Unido.
A sua atividade científica centra-se na biologia dos cromossomas e nas sequências não codificantes do genoma, com particular enfoque no seu papel nas alterações cromossómicas, na formação de tumores e no desenvolvimento do cancro. As suas áreas de investigação abrangem o DNA satélite, a biologia cromossómica, a biologia do RNA e a genómica, contando com mais de três mil citações na literatura científica.
O seu percurso académico está fortemente ligado à genética e à biologia molecular. O que a motivou a seguir esta área e quais foram os momentos-chave que consolidaram essa escolha?
Eu desde muito cedo sabia que queria seguir genética. No secundário, sempre gostei muito da biologia e, na altura, li um livro de ficção científica, centrado na possibilidade de clonagem do Homem, que me marcou muito.
A partir desse momento, decidi que queria ser geneticista, mas sabia que não existiam muitas opções para estudar esta área, por isso acabei por escolher bioquímica por ser um curso que me pareceu mais experimental. Tive pessoas a ficar ligeiramente aborrecidas comigo porque tinha média suficiente para entrar em medicina, mas essa não era a minha paixão.
Gosto muito da área médica como Ciência e da interação com as pessoas, mas sou uma pessoa emocional e acredito que não seria capaz de lidar com alguns momentos que a profissão de médico exige. O que me apaixona é trabalhar no laboratório, no microscópio, com células e cromossomas, algo que, na sua essência, é trabalhar com a vida na sua vertente mais elementar.
Grande parte do seu trabalho incide sobre instabilidade genómica e cancro. Que avanços considera mais relevantes nesta área nos últimos anos e que desafios continuam por resolver?
Recentemente tem havido grandes avanços no estudo do cancro a nível molecular, nomeadamente em termos de caracterização molecular dos vários tipos de cancro que dão origem a potenciais bons biomarcadores de diagnóstico, prognóstico e de indicação terapéutica.
Neste momento, o cancro já não é uma sentença de morte e acredito que a genética tem tido aqui um papel preponderante. Contamos já com várias terapias que nos permitem combater esta doença, mas espero que o conhecimento continue a avançar porque temos cada vez mais casos, muito devido também à nossa maior longevidade.
Com experiência em colaborações internacionais, como vê o posicionamento da investigação portuguesa na área da genética e do cancro a nível global?
Na área da genética e nas outras áreas, todas, eu sempre vi os portugueses e Portugal como atores preponderantes. Temos pessoas capazes e sabedoras e contamos com excelentes investigadores nas diversas áreas.
O desafio que enfrentamos é o facto de sermos um país pequeno e, por isso, não podemos competir com países como a China ou os Estados Unidos. No entanto, em todas as colaborações que já fiz, nunca me senti inferiorizada por ser portuguesa, muito pelo contrário. Os colegas internacionais com quem já tive a oportunidade de trabalhar, gostam muito da nossa forma de pensar, da nossa forma de estar e, sobretudo, da nossa resiliência.
Na sua opinião, que impacto pode a RISE-Health ter na forma como se faz investigação em Portugal, especialmente na área da saúde?
Acho que a Unidade de Investigação é uma excelente oportunidade para colaborarmos com investigadores de todos os polos de gestão que integram a RISE-Health. Para a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), a integração nesta Unidade foi particularmente relevante, uma vez que, no momento da nossa adesão, estávamos a preparar o nosso curso de medicina. Este processo permitiu-nos aprender com instituições como a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto que já conta com 200 anos de história.
O que significa, para si, fazer parte da Unidade de Investigação RISE-Health?
É um orgulho pertencer a uma Unidade de Investigação como a RISE-Health que conta com investigadores de várias áreas. Neste momento, a frase que melhor descreve o que sinto é “vontade de trabalhar”, uma vez que estamos a superar a fase de consolidação da nossa Unidade de Investigação. Agora, temos de nos focar em produzir ciência para conseguir resultados para, mais tarde, concretizar soluções.