Estudo liderado pela Unidade de Investigação RISE-Health analisou a resposta pupilar e a perceção subjetiva de carga de trabalho em tarefas realizadas com diferentes níveis de iluminância.
As condições de iluminação dos locais de trabalho podem influenciar a forma como os trabalhadores percecionam a carga de trabalho em tarefas cognitivamente exigentes. Esta é uma das conclusões de um estudo liderado por investigadores da RISE-Health, a maior Unidade de Investigação do país.
O trabalho científico, que contou com a participação de 48 adultos, comparou a realização de tarefas em postos de trabalho dotados de visor em duas condições de iluminância, 300 e 500 lux. Os investigadores não encontraram diferenças significativas nos parâmetros pupilares entre as duas condições. De acordo com Filipa Ferreira, investigadora da RISE-Health e da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, ao executarem tarefas mais cognitivamente exigentes em ecrãs, os participantes reportaram maior carga mental numa das tarefas realizadas.
De acordo com a especialista da Unidade de Investigação RISE-Health, isto acontece porque “a pupila é um indicador fisiológico, está associada ao esforço cognitivo, mas também é muito influenciada pelos níveis de iluminância”, referindo que “uma iluminação inadequada pode contribuir para a fadiga visual, para o stress, para dificuldades de atenção e isto consequentemente vai afetar o conforto do trabalhador, o seu desempenho e também a sua própria segurança”.
“No trabalho com ecrãs, não importa apenas a quantidade de luz, mas também importam fatores como os reflexos e o contraste”, explica Filipa Ferreira (RISE-Health/ESS.IPP), vincando que “quando nós falamos de saúde ocupacional, devemos olhar para a iluminação de uma forma mais abrangente. Temos que considerar o tipo de tarefa, as características do espaço, o conforto visual do trabalhador e a experiência dos próprios trabalhadores”.
Segundo a investigadora da RISE-Health, os passos para assegurar uma melhor qualidade e bem-estar laboral passam por “seguir os princípios de ergonomia quando concebemos o espaço de trabalho. Temos que controlar os níveis de iluminação, garantir a uniformidade, adequar à tarefa em causa, reduzir reflexos e encadeamentos e sempre que possível permitir também algum controle individual para o trabalhador”.
O estudo “Beyond visual comfort: comparing pupillometry and subjective measures of cognitive strain in workplace lighting”, publicado na Frontiers in Public Health, é assinado por Filipa Ferreira, Ana-Carolina Fonseca, Simão Ferreira, Luís Pinto-Coelho e Matilde A. Rodrigues, investigadores da RISE-Health.