Estudo RISE-Health aponta relações laborais como nova causa para o Burnout

Profissionais de saúde e professores são os trabalhadores mais afetados por síndrome caracterizada por stress crónico, prolongado e persistente.

 

Um grupo de investigadoras da Unidade de Investigação RISE-Health analisou o impacto que as relações estabelecidas em contexto profissional têm no desenvolvimento de burnout, uma vez que, de acordo com as especialistas, “o local de trabalho tem uma importância significativa na vida de um indivíduo, servindo não só como um local para atividades laborais, mas também como um ambiente que influencia profundamente a sua saúde mental e bem-estar”.

“O burnout é um estado de esgotamento que abrange não só a dimensão física, mas também as dimensões emocional e cognitiva. Trata-se de um stress crónico, prolongado e persistente. Este é um fenómeno ocupacional associado ao trabalho e às suas exigências e que, por ser uma síndrome multidimensional, não é fácil de diagnosticar”, explica Carla Barros (RISE-Health/UFP).

De acordo com a especialista da RISE-Health, “o burnout está muito relacionado com o desequilíbrio entre as exigências associadas à atividade laboral e os recursos que os trabalhadores têm para dar resposta a esse desequilíbrio. Ainda que extremamente associada a um elevado ritmo e intensidade de trabalho, esta síndrome está também vinculada a conflitos éticos e de valores e, simultaneamente, a relações no contexto laboral”.

A partir de uma amostra de 364 indivíduos com funções laborais em vários setores em Portugal, incluindo organizações públicas e privadas, como hospitais públicos e privados, escolas e universidades públicas e privadas, indústrias têxteis, lojas, entre outros, as especialistas da Unidade de Investigação RISE-Health concluíram que “a qualidade da vida profissional e a dinâmica no local de trabalho desempenham papéis fundamentais na previsão do burnout”.

“[Os resultados] também sugerem que os profissionais em áreas onde o trabalho emocional é predominante são particularmente suscetíveis ao esgotamento devido ao profundo impacto das exigências emocionais”, pode ler-se no artigo publicado no livro científico Occupational and Environmental Safety and Health VI

“O burnout regista níveis muito elevados entre profissionais de saúde e professores. Nestas profissões, os conflitos éticos e de valores são o preditor mais forte relativamente a esta síndrome”, aponta Carla Barros, esclarecendo que muitos dos trabalhadores envolvidos neste estudo “sentem uma tensão psicológica que resulta do desalinhamento entre os valores pessoais e as exigências organizacionais”, levando a “um estado de esgotamento, distanciamento e de burnout”.

Na visão da especialista, combater o burnout exige uma “avaliação primária centrada nas causas” e a adoção de medidas que “tornem os canais de comunicação das organizações mais abertos, próximos e transparentes”. Estas são medidas fundamentais para, simultaneamente, mitigar o impacto da síndrome e apoiar o bem-estar do trabalhador.

O artigo “The Impact of Psychosocial Risks on Burnout: Tracing the Pathways to Professional Exhaustion?” conta com a autoria de Carla Barros (RISE-Health/UFP), Carina Fernandes (RISE-Health/UFP) e Pilar Baylina (RISE-Health/E2S).