Novo Laboratório de Biomarcadores promete acelerar investigação e cuidados de saúde

Unidade de Investigação RISE-Health e FMUP disponibilizam plataforma científica de vanguarda com impacto na prática clínica.

Fotografia: Faculdade de Medicina da Universidade do Porto - Unidade de Gestão de Comunicação

 

Será inaugurado, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), um novo Laboratório de Biomarcadores (Biomarkers 360) que promete alavancar e acelerar a investigação e a prestação de cuidados de saúde em Portugal.

A cerimónia irá decorrer no dia 21 de outubro, pelas 11h00, contando com a presença do diretor da Unidade de Investigação RISE-Health (sediada na FMUP), Fernando Schmitt, do diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Altamiro da Costa Pereira, do diretor eleito, Roberto Roncon de Albuquerque, entre outros representantes institucionais e entidades convidadas.

Financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em cerca de 2,1 milhões de euros, esta nova plataforma científica dispõe de estruturas e tecnologia de última geração, com impacto na investigação clínica e de translação, que se tornará mais competitiva, e na ligação com as instituições de saúde.

As aplicações vão além das doenças genéticas e incluem a neurologia, psiquiatria, oncologia e doenças infeciosas, oferecendo uma “solução 360º num mesmo local”, da amostra à análise de dados, da molécula ao tecido.

“Esta plataforma está muito direcionada para a descoberta de novos biomarcadores e para a análise de biomarcadores já estabelecidos que possam ser utilizados na prática clínica. Espera-se que exista uma repercussão prática na vida e na saúde das pessoas”, afirma Joana Marques, que coordena o Laboratório juntamente com Rita Barros, ambas investigadoras da RISE-Health e da FMUP.

Em destaque está uma plataforma de imunoensaios com equipamento inovador a nível nacional que deteta biomarcadores neurológicos com uma amostra de sangue, urina, líquido cefalorraquidiano ou outro fluido corporal. Com uma molécula única, é possível detetar biomarcadores séricos associados a doenças neurológicas e neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer e a esclerose múltipla.

A análise rápida (em apenas duas a três horas) e fiável destes biomarcadores no sangue, como neurofilamentos leves, proteína tau fosforilada e beta-amiloide, é uma importante ferramenta para perceber, por exemplo, se um tratamento de uma doença neurológica está a ter o efeito desejado, sem depender de exames de imagem, mais caros e exigentes em termos de disponibilidade e recursos.

As vantagens deste equipamento de vanguarda são permitir avaliar o risco, detetar precocemente e avaliar a progressão de uma doença neurológica. Como explica Joana Marques, “este é um grande avanço e poderá ser crucial, nomeadamente quando há casos familiares, para iniciar uma intervenção mais precoce que possa melhorar o prognóstico da doença”.

Outro equipamento de ponta é um sequenciador de ADN de leitura longa, em tempo real, que deteta diretamente alterações genéticas ou epigenéticas, como metilações do ADN, o que, até aqui, só era possível de forma indireta. Em outros países, “este equipamento, acoplado a um supercomputador, está já a ser utilizado para classificar tumores no decurso de cirurgias, o que ajuda o cirurgião a decidir se a resseção terá de ser mais ou menos invasiva”.

Entre as estrelas deste Laboratório de Biomarcadores está também um “robô” automatizado, de preparação de bibliotecas de sequenciação de leitura curta, assim como dois sequenciadores de nova geração, focados na área da Oncologia, para detetar células de tumor circulante a partir de uma simples amostra de sangue (biópsia líquida), sem necessidade de biópsia ou cirurgia para remoção de tecidos.

Também o combate às doenças infeciosas, como a sépsis, ganha nesta nova plataforma científica um potencial aliado, que ajuda a identificar o agente e a resistência a antimicrobianos, para escolher o tratamento adequado. Na chamada “sala de cultura celular”, a aposta será no desenvolvimento de organoides, espécie de mini-órgãos in vitro.

Na área da Histopatologia registam-se igualmente grandes avanços, do clássico estudo e comparação de biomarcadores em tecidos ao recente treino e aplicação de algoritmos de Inteligência artificial à imagem histológica.

“Em conjunto, estas ferramentas podem ajudar a acelerar a identificação de novos biomarcadores e contribuir para diagnósticos mais precisos e para o avanço de novas abordagens de prevenção e terapêuticas mais personalizadas”, refere Rita Barros.

Brochura