Recetores de sabor amargo podem aumentar a eficácia do tratamento de tumor cerebral altamente agressivo

Investigação da RISE-Health abre nova frente no combate ao glioblastoma

 

Os recetores de sabor amargo poderão vir a desempenhar um papel importante no combate ao glioblastoma, o tumor cerebral maligno mais agressivo e um dos mais difíceis de tratar. A conclusão é de um estudo liderado pela RISE-Health, que identifica estes recetores como um novo potencial biomarcador e alvo terapêutico para este tipo de cancro.

Conhecidos pelo seu papel na deteção de substâncias potencialmente tóxicas através do paladar, os recetores de sabor amargo — designados TAS2Rs — parecem também influenciar o comportamento das células tumorais e a resposta aos tratamentos. Estes recetores são ativados por compostos amargos que, ao ligarem-se a eles, desencadeiam respostas celulares.

“A ativação dos recetores de sabor amargo não está apenas associada ao paladar. Sabe-se agora que estes recetores desempenham funções nas células tumorais e podem influenciar diferentes processos, como a viabilidade celular e, especialmente, a resposta ao tratamento”, explicam Cecília Santos e Ana Raquel Costa, especialistas da Unidade de Investigação RISE-Health e da Universidade da Beira Interior.

Segundo as investigadoras, o estudo demonstra que a ativação destes recetores poderá aumentar a eficácia da temozolomida, o principal fármaco utilizado no tratamento do glioblastoma.

“Os resultados sugerem que os recetores de sabor amargo podem impedir as células tumorais de desenvolver resistência à temozolomida, um dos principais desafios no tratamento deste tumor”, acrescentam.

Além do potencial impacto no glioblastoma, os investigadores acreditam que os TAS2Rs poderão também ter um papel relevante noutros tipos de cancro. Evidências científicas recentes apontam para funções antitumorais destes recetores em tumores sólidos como o glioblastoma, o cancro da mama e tumores gastrointestinais, contribuindo para reduzir a proliferação e migração celular.

O trabalho científico, publicado na revista International Journal of Molecular Sciences, identifica os recetores de sabor amargo como uma nova via promissora para compreender e combater a resistência terapêutica no glioblastoma.

Os investigadores apontam, como próximo passo, o estudo da variabilidade na expressão destes recetores entre doentes, o que poderá no futuro influenciar a forma como o tratamento é personalizado.

O estudo, intitulado Bitter Taste Signalling via TAS2R43 Enhances Temozolomide Efficacy in Glioblastoma Cells, foi liderado por Cecília Santos e Ana Raquel Costa e contou ainda com a participação dos investigadores Ana Catarina Duarte, Isabel Gonçalves, José Cascalheira e Helena Marcelino, da RISE-Health, bem como de Robert Preissner, da Charité — Universitätsmedizin Berlin.