Novo guia desenvolvido por investigadores RISE-Health ajuda designers e produtores de informação a comunicar melhor com pessoas com demência

Projeto contou com a participação de investigadores da Unidade de Investigação RISE-Health.

 

Uma equipa de investigadores nacionais procura ajudar a que pessoas com demência tenham acesso a informação relevante através do guia-prático criado no âmbito do projeto de investigação DECOHDE — Design para a Comunicação Humanizada da Demência, uma iniciativa que conta com a participação da Unidade de Investigação RISE-Health.

Esta iniciativa, que agora lançou um guia para designers e produtores de informação com recomendações para o design de informação destinada a pessoas com demência, contou com a participação de Oscar Ribeiro (RISE-Health@RISE/UA) e Soraia Teles (RISE-Health@RISE/FMUP), investigadores da Unidade de Investigação RISE-Health.

“O DECOHDE é importante porque responde a uma lacuna muito clara: apesar de existir informação sobre demência, grande parte não é pensada para as próprias pessoas que vivem com a condição”, apontam os especialistas da RISE-Health, mencionando que “o projeto DECOHDE procurou, justamente, investigar sobre formas mais adequadas, acessíveis e significativas de comunicar informação a pessoas com demência”.

O trabalho agora disponível realçou o desenvolvimento de conteúdo com design direcionado para as pessoas com demência, que vai permitir “facilitar […] o acesso da pessoa que vive com demência à informação importante para si”, vincam os investigadores da maior Unidade de Investigação do país.     

Ao nível da linguagem, “o uso de termos com conotações negativas ou o foco apenas nas limitações da pessoa pode reforçar o estigma em relação à demência. Por isso, é essencial usar uma linguagem centrada na pessoa, que reconheça que a demência não define quem alguém é”, reforça Soraia Teles.

Segundo os especialistas, existem 14 princípios, entre eles a simplicidade, clareza e legibilidade, pelos quais designers,  profissionais da comunicação e outros produtores de informação para pessoas com demência se devem guiar durante a produção de informação.

“É desejável investir numa abordagem flexível de design de informação que permita o controlo por parte do utilizador: por exemplo, oferecer informação em diferentes formatos – texto, áudio, imagem – níveis de detalhe e com opções de personalização. Recorrer a padrões de utilização e conceitos familiares, assim como assegurar a consistência visual e do comportamento do sistema, permite experiências mais intuitivas, previsíveis e estáveis, auxiliando o utilizador sem comprometer a sua autonomia, contribuindo para a confiança na utilização de um sistema.

Liderado pela investigadora Rita Maldonado Branco, do Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura (ID+), e contando com a participação também do Centro de Investigação em Média Digitais e Interação (DigiMedia), o projeto DECOHDE — Design para a Comunicação Humanizada da Demência é o resultado do trabalho desenvolvido por um grupo de investigadores portugueses na Universidade de Aveiro, um dos centros de gestão da Unidade de Investigação RISE-Health. A iniciativa foi financiada por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito dos projetos 2022.03295.PTDC.