Notícias / Menor ingestão calórica aumenta a eficácia da quimioterapia
Estudo da Unidade de Investigação RISE Health revela associação entre a alimentação e a eficácia de tratamento de tumores raros.
O consumo moderado de calorias aumenta a eficácia da quimioterapia. Esta é uma das conclusões de um estudo internacional da Unidade de Investigação RISE Health em associação com a Universidade Federal do Piauí (Brasil), que procurou compreender o impacto da restrição calórica no tratamento de sarcomas, um tipo raro de cancro.
De acordo com o estudo, realizado em animais de laboratório, “a restrição calórica, isolada ou combinada [com medicamentos como a doxorrubicina, utilizada na quimioterapia], reduziu significativamente o peso e o volume do tumor e aumentou a taxa de inibição do mesmo. Simultaneamente, esta abordagem protegeu as células normais dos danos induzidos pela quimioterapia”.
“A redução de 40% na ingestão calórica induziu um profundo stress metabólico no microambiente tumoral, comprometendo processos anabólicos e proliferativos essenciais para a progressão do tumor”, pode ler-se no trabalho científico publicado na revista Cancers.
“A partir deste estudo experimental, realizado em modelos animais, conseguimos observar que uma restrição calórica – por curtos períodos de tempo – pode ser favorável ao tratamento do cancro”, aponta o investigador Moisés Tolentino Bento da Silva (RISE-Health/ICBAS-UP), explicando que quanto maior for a energia consumida, mais o cancro se desenvolve e, por isso, com a redução do consumo calórico, conseguimos reduzir o aporte energético para o tumor e, consequentemente, garantir uma maior eficácia da quimioterapia”.
Os investigadores constataram que, além de um impacto positivo na eficácia da quimioterapia, a restrição calórica “contribui para a reparação dos danos no ADN [causados pela quimioterapia] em tecidos não tumorais” e “reprograma o metabolismo lipídico, reduzindo os níveis de colesterol e triglicéridos” que alimentam as células malignas dependentes da renovação de ácidos gordos para a produção de energia, proliferação e sinalização do cancro e de outras patologias crónicas, como a diabetes tipo II, doenças cardiovasculares e distúrbios neurodegenerativos.
Paralelamente à dieta equilibrada e à redução do consumo calórico, a prática regular de exercício físico promove um impacto positivo no tratamento do cancro. “Se durante a quimioterapia os doentes oncológicos praticarem exercício físico de forma adequada e regular, estes apresentarão menos efeitos colaterais em vários sistemas, como, por exemplo, o trato gastrointestinal. O exercício físico, juntamente com uma boa alimentação, tem grandes benefícios para a qualidade de vida do paciente, seja ele preventivo, durante o tratamento ou após o término do tratamento oncológico”, conclui Moisés Tolentino Bento da Silva.
Este trabalho científico é liderado, em Portugal, pelo investigador Moisés Tolentino Bento da Silva (RISE-Health/ICBAS-UP) e, no Brasil, pelo investigador Francisco Leonardo Torres-Leal (DOMEN – Metabolic Diseases, Exercise and Nutrition Research Group– UFPI/Brasil) e conta com outros especialistas do Departamento de Biofísica e Fisiologia da Universidade Federal do Piauí (Brasil) como autores.