Notícias / Investigadores portugueses encontram potencial nova solução para reduzir o impacto da infeção neonatal por Streptococcus do Grupo B
Estudo da Unidade de Investigação RISE-Health identifica um recetor neuroimune capaz de prevenir lesões cerebrais e défices no neurodesenvolvimento associados à sépsis neonatal.
Investigação liderada por uma especialista da Unidade de Investigação RISE-Health identificou uma potencial nova solução para o Streptococcus do Grupo B, bactéria que coloniza o trato intestinal e genital que, quando transmitida ao bebé durante o parto, pode resultar no desenvolvimento de doenças como meningite ou pneumonia neonatal, sépsis e, em casos mais graves, provocar a morte.
“A infeção invasiva neonatal por Streptococcus do Grupo B continua a ser uma das principais causas de mortalidade e comprometimento neurodesenvolvimental a longo prazo, afetando processos críticos de maturação cerebral, cognição e comportamento”, vincam os especialistas, explicando que “a sépsis é uma síndrome clínica de disfunção de órgãos e uma das principais causas de mortalidade neonatal, responsável por 15 % de todas as mortes”.
No estudo, realizado em animais de laboratório e publicado na revista científica International Immunopharmacology, a equipa de investigadores destaca que “a Streptococcus do Grupo B coloniza o trato genital inferior de até 40 % das mulheres grávidas, representando um risco significativo de infeção para os bebés ao longo de todo o período perinatal. Além disso, cerca de metade dos recém-nascidos que sobrevivem à infeção por esta bactéria apresentam deficiências no desenvolvimento neurológico e sequelas neurológicas permanentes, incluindo deficiências motoras, de aprendizagem e socioemocionais”.
Atualmente, a infeção pelo Streptococcus do Grupo B é diagnosticada através de culturas microbiológicas, tanto no rastreio materno como quando existe suspeita de sépsis neonatal. No entanto, estes métodos permitem identificar a presença da bactéria, mas não avaliam o impacto precoce da infeção no cérebro em desenvolvimento, nem o risco de sequelas neurológicas a longo prazo. O estudo liderado por Laura Oliveira (RISE-Health/ICBAS-UP), identificou o recetor P2X7 como uma potencial nova solução para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas contra a infeção neonatal.
“A ativação precoce do recetor P2X7R permite modular a resposta neuroimune no momento da infeção, reduzindo a neuroinflamação patológica e protegendo o cérebro em neurodesenvolvimento com um efeito longitudinal benéfico nos sobreviventes desta infeção, prevenindo os défices cognitivos e o perfil ansioso observado nos modelos animais”, explica Laura Oliveira, acrescentando que “este estudo permitiu alavancar a identificação de um potencial novo biomarcador para identificação precoce do dano neuronal em circunstâncias de sépsis neonatal”.
Segundo a especialista da RISE-Health, o combate à infeção pelo Streptococcus do Grupo B “passa também pelo desenvolvimento de novas vacinas eficazes”, destacando que “o desenvolvimento de novos biomarcadores poderá constituir uma abordagem complementar para reduzir o impacto desta infeção no cérebro em desenvolvimento”.
O artigo “Early P2X7 receptor activation mitigates neonatal group B Streptococcus infection severity and long-term neurodevelopmental impairment” conta com Laura Oliveira (RISE-Health/ICBAS-UP), Sales Fialho, Irina Amorim e Paula Ferreira (ICBAS-UP) como autores. Os investigadores Clara Quintas (FFUP) e Patrick Trie-Cuot (Université Paris Cité) também assinam o trabalho científico.